Archives
julho 2009
agosto 2009
março 2010
junho 2010
fevereiro 2011

nova chance
sábado, 26 de fevereiro de 2011 15:28

Eu não costumo confiar nas pessoas.

Ok, não é extremo dessa maneira. Acontece que sou traumatizado, da pior maneira possível. Passei esse 2010 completamente entregue à uma vontade que não era minha. Fiz de tudo por alguém que, no final, não era NADA do que eu esperava. Depois de tanto (desculpem a expressão) tomar no cu, criei uma barreira ao meu redor que impedia qualquer tipo de envolvimento maior da minha parte. Admito que isso me fez bem, e bastante. Eu podia ser feliz sozinho até esse meu medo acabar. Eu consegui ser feliz sozinho enquanto meu medo não acabava. Entrei numa fase da minha vida onde eu podia dizer com todas as letras que era a melhor. Nada podia destruir o meu todo-poderoso muro de proteção.

Até aquela noite.

Eu não sei bem definir o que eu senti naquela hora. Era uma amizade que, do nada, se transformava em algo maior. Rápida e adoravelmente, eu me envolvi com alguém que não precisou demonstrar em atitude nenhuma que também estava envolvido, eu só precisei sentir. Obviamente, eu me apavorei. Onde estava meu muro pra me proteger dele? Por que ficar (e até ali, apenas ficar!) com alguém era tão... diferente? Por que quando eu fiquei com SEJA LÁ QUEM FOSSE, eu NUNCA cogitei sentir o que eu estava sentindo? Não era só alguém que meu muro eficientemente expulsava da minha vida, era alguém que com toda calma do mundo e sem ao menos perceber isso, destruiu tijolo por tijolo da única proteção que eu resolvi criar na minha vida. Então, mais uma vez, estava eu apaixonado. E o pior, morrendo de medo disso.

Era engraçado, porque cada vez que eu me envolvia mais, eu me assustava mais com o que aquilo se tornava. Eu perguntava sempre "Afinal, o que nós temos?". Cada "Não sei." que eu ouvia, me desesperava. Pronto, estava me metendo de novo em uma relação onde só eu mesmo enxergava aquilo como uma relação. Pedi ajuda, pedi conselhos, invoquei orixás... Nada adiantava. E então aconteceu. Naquela manhã (que como todos os momentos que passei com ele, foram perfeitos), se tornou um namoro. Até hoje existem discussões sobre da parte de quem surgiu o pedido, mas o mais importante aconteceu. Eu sou dele. Ele é meu.

E o muro? Seja lá onde ele esteja, vai muito bem, obrigado. Cada momento, cada "Eu te amo", cada risada, cada conversa, não me dão mais motivos pra sequer cogitar erguer uma proteção. Eu sinto sinceridade, sinto sentimento, sinto o amor que ele diz ter por mim. Sinto mais ainda a alegria que ele tem de estar comigo. Da minha parte, dou tudo de volta numa intensidade que, se não igual, maior. Ele diz que eu o mudei pra melhor, e não faz a mínima idéia de como isso me faz feliz ao ouvir. Da minha parte também, digo que a minha maior felicidade é ver aquele sorriso que ele dá quando fica sem graça, ouvir aquele "Para, tá me deixando com vergonha" com aquela voz que só ele sabe fazer. Talvez principalmente seja o "Obrigado" que ele diz quando eu faço coisas mínimas por ele. É uma alegria TÃO sincera, tão bonitinha de se ver, que chega a ser até meio ridícula. Eu me sinto uma criança do lado dele, de tão feliz. Uma criança totalmente apaixonada.

E ontem, uma semana de namoro. Uma semana na qual eu vi que pela primeira vez nessa vida eu amo alguém que vale a pena. Alguém que faria (e faz) por mim qualquer coisa mínima que eu precisasse. É cada dia passar pra eu me encantar mais por aquele garoto que eu conheci nas condições mais aleatórias possíveis, que se tornou meu amigo de maneira mais aleatória possível, que eu passei a confiar pelos motivos mais aleatórios possíveis e que hoje é a pessoa que eu amo da maneira mais certa possível. E se você não é a pessoa certa pra mim, eu realmente não sei quem pode ser.

Eu te amo mesmo, Pedro.
E muito.



OBS: Ainda não tiramos nenhuma foto juntos, né? Vai essa daqui, tá tão bem editada que eu garanto que vai enganar muita gente.




sem título 4
sexta-feira, 18 de junho de 2010 21:30
Ser amado também se aprende.

Pra mim, uma das maiores demonstrações de amor
É ser o primeiro pensamento do dia.
É ouvir meu nome, carinhosamente.
É ler "eu te amo" na íris.

filosofia de criança
quinta-feira, 18 de março de 2010 20:53
Crianças desejam ser mais velhas e conseguir liberdade.
Adultos desejam ser mais jovens e depender de alguém.

Vai entender.

dificuldade
20:48
Com 19 anos é normal que você se sinta mais maduro.

Eu me perguntei se o problema era comigo ou com o que me criou. Eu não me sinto mais maduro, não me sinto mais alto, nem mais vivo, muito menos mais bonito. A idade tá me estragando. Mesmo quando eu tento continuar a viver a mesma vida que sempre tive nesses meus (não tão) longos 19 anos de vida, vejo que parece que cada nova vela que assopro, eu começo a regredir.

Vai subindo uma coragem de levantar uma bandeira. É difícil admitir quem eu sou, ou que eu quero. A vontade e a verdade aparecem de uma vez só, quase como um soco. Mas somem como o mais breve dos beijos.

Vai ver porque o sentimento não é verdadeiro.

sem título 3
sábado, 15 de agosto de 2009 02:08
Pensou em sua família. Visualizou um beijo no rosto de cada filho. Um abraço em sua esposa. Aparentemente aquela história de flashback pré-mortis era verdadeira. Pensou em tudo que ainda gostaria de fazer: viajar, tirar férias, ver a neve, comprar um carro novo, talvez.

- Porque você está fazendo isso? - era uma pergunta que não esperava resposta.
- Porque eu posso - respondeu o assaltante.

Ouvir sons. Buzinas ao fundo. Risadas de crianças. Um soluço baixinho. Sua música predileta. E depois disso não ouviu mais nada.

você
sábado, 1 de agosto de 2009 13:38

alice e bruno
quinta-feira, 23 de julho de 2009 15:05
Uma mesa o separava de Alice.
- Não é essa a minha idéia perfeita de encontro. - começou a garota - Esperava, no mínimo, comida boa.
Ele riu.
- Garanto que a comida que servem aqui não é o que você poderia chamar de "perfeita". - Risadas eram definitivamente algo raro vindo de sua parte. Especialmente nessa condição.

As mesas em volta dos dois exalavam diferentes cores e cheiros de emoções distintas. Num canto, um casal chorava abraçado. No extremo oposto, dois homens discutiam. Duas crianças corriam pela sala, observadas de longe por um casal orgulhoso. Era somente naquela mesa que havia silêncio. Foi Bruno que o quebrou.

- Você não deveria ter vindo aqui. - sua voz controlava-se para não soar rude. - A última coisa que quero é que algo aconteça de ruim a vocês dois.
- Pensasse nisso antes de fazer o que fez. - respondeu. Não se esforçou em não parecer irritada.

Novamente o silêncio. Pareciam desfocados no meio daquele ciclone de emoções exaltadas ao seu redor. Dessa vez foi Alice quem pôs fim nele.

- Eu descobri que é um menino.

Silêncio. Bruno baixou a cabeça e respirou fundo. Precisava de coragem.

- E você já pensou em um nome? - disse o rapaz, sem a encarar.
- Eu queria a sua ajuda.

Bruno estendeu suas mãos, para que pudesse segurar as de Alice. Ficaram assim por longos minutos, sem se olhar em momento nenhum. Até que uma voz grave ao longe tomou conta do local.

- Fim do horário de visitas. - anunciou o guarda.

Alice e Bruno não soltaram as mãos.